Gente,voltei!
Fiz um pequeno tour de 2 semanas pelos Emirados Árabes+Jordânia com minha filhota, só nós duas, com direito a muitas risadas e alguns momentos tensos...
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Sem camelo, sem comer areia e com ar condicionado! |
Foram dias de calor seco, escaldante, na base dos 40 e tantos graus (teve um dia que foram 48, por sinal, o dia em que resolvemos fazer um rally no deserto), realmente um calor infernal, mas só tínhamos esse tempo pra viajar, fazer o quê? O mais complicado é que pegamos o Ramadan, periodo sagrado para os muçulmanos, com várias restrições, entre elas, não comer nem beber nada entre o nascer e o pôr do sol, nada de shows, danças..(pô, naquele calorão, não beber água em público foi um suplicio, mas apesar de sermos toleradas fazendo isso, por não seguirmos a religião, queríamos respeitar os costumes locais pra não destoar tanto..Em alguns lugares mais "ocidentalizados", pensei que meus pecadinhos seriam mais tolerados-caso dos shoppings-mas ao tomar um inocente golinho de água atraí guardas na minha direção( falando em árabe) que não podia beber ali, blá-blá.. (isso deduzi pela "mímica simpática" que me fizeram mandando esconder a garrafa na bolsa e apontando para os banheiros..Entendi perfeitamente que teria de me esconder pra beber ou comer, ou aguentar até o sol se por..
.(claro que não aguentei!):
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E assim foi meu primeiro almoço quase sentada numa privada de um banheiro de shopping...uma diliciaaa!!!! |
Tá, mas quem não é muçulmano tb tem que seguir esses preceitos???
Eu achava que não, mas na prática eles ficam mais sensíveis nessa época do ano.Como já escrevi acima, procuro sempre respeitar os costumes locais qdo.viajo, dentro do possivel, mas o calor excessivo me fez dar escorregadas no quesito água e vestimentas (meu vestido longo acima ainda precisava de um lenço/véu para esconder ombros e colo)E qto.mais perto da Arábia Saudita, mais rígidos eles são. É preciso tomar um cuidado enorme com o que se veste, mesmo naquele calor. Nada de decotes, alcinhas nem pernas de fora. E como estávamos sozinhas, mais cuidado ainda. Os homens nos mediam de cima a baixo, era meio bizarro.Em todos os lugares onde fui, me senti compelida a jejuar em respeito aos que estavam jejuando, mas tb pela dificuldade de comprar alguma coisa pra comer, já que tudo fica fechado durante o dia (só as lojas de vestuário abrem, as de comida e coffee shops só abrem à noite)..então me empanturrava no café da manhã, que tb acontecia meio escondido, com cortinas tapando a visão de quem passava, isso em quase todos os hotéis...
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Lojas de burcas com muitas opções, só que as mulheres compram sem experimentar nada |
Eu vi muuuuuitas burcas e cabeças cobertas, as mulheres realmente não podem se mostrar, faz parte da cultura deles, mas elas não parecem se importar, e todas andam com suas bolsas de grife bem faceiras pelos shoppings, onde torram os cartões de crédito dos maridos, eles todos de branco...Até parece que só fui às compras, mas é claro que não, achei tudo caríssimo , preferi torrar com passeios e voltinhas a mais de táxi (andei de metrô no vagão destinado às mulheres pq não me senti 100% segura, preciso confessar), e à noite as muçulmanas sumiam misteriosamente, só tinha homem na rua..Já tinham me dito que no Ramadan tudo fica diferente, e pude comprovar na prática. Realmente, o ritmo do oriente médio muda, os horários do comércio mudam, as pessoas têm seus horários pra rezar, enfim, talvez não seja o melhor momento pra ir pra lá, mas as paisagens são incríveis, gostei muito.
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"Sai de cima, sua gorda!" |
Se andei de camelo? Bem, a foto acima não me deixa mentir,eu
subi nele, mas o camelo tava cansado ou me achou muito pesada, sei lá, pq ele não queria levantar e fedia tanto que quase desisti...mas enfim, a aventura nas arábias rendeu aprendizado, reflexão (depois de uma rodada de narguilé) e muita diversão, só faltou o tapete voador...