segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Voltando...aos poucos!

Pra quem aparece aqui de vez em quando, o blog andou parado em razão de uma viagem de 40 dias que fiz em terras lusitanas, aliás, pela segunda vez neste ano. A paixão por Portugal cresceu muito depois de visitar o país em fevereiro-férias com a família-e agora fui a estudos. Meu QG foi na encantadora cidade do Porto, mas de lá saí em várias excursões com colegas de aula, de ônibus ou de trem (comboio, pra usar o termo português), sempre aos domingos, único dia livre de aulas ou grupo de estudos. A rapariga aqui, afastada do meio acadêmico desde 2007, quando concluí minha especialização em Moda, Consumo e Comunicação pela PUC-RS, não imaginava o grau de dificuldade e a quantidade de leituras, trabalhos e seminários que precisaria enfrentar nesse suplicio mestrado. Também por ter uma formação em área diferente (fiz Direito na graduação), então boiava em muitas teorias que os demais colegas já sabiam de cor ou por experiência.
Foi um choque de realidade, pra quem estava bem acomodada em sua zoninha de conforto, achando que sabia alguma coisa...Eu estava destreinada de ler, de pesquisar, de estudar, de fazer conexões entre autores, e até de falar em público, obrigando-me  a treinar no quarto todas as noites antes de ir pra aula apresentar os seminários.
 
 
Aqui estou na biblioteca da Universidade Fernando Pessoa, onde muitas vezes fui "salva" pela Carla Sousa, um anjo de luz que me ajudava a encontrar as melhores opções bibliográficas para as disciplinas mais difíceis, e a quem devo muita gratidão, pois em geral estamos sozinhos e temos de nos virar, ninguém tem tempo pra parar e ajudar, e a Carla largava tudo quando me via entrar lá, desesperada, rssss...Eu ia semanalmente nessa biblioteca retirar livros, nem tudo está disponível na Internet...
As noites eram bem curtas. Eu chegava no hotel por volta das 21h ( as aulas começavam às 8h e terminavam por volta das 18:30, 19h, tipo imersão total), mas eu não ia direto, passava antes na casa da Karina, uma das colegas e outro "anjo da guarda", que morava bem próximo da universidade e com quem eu estudava ou fazia grupo, de vez em quando. A cada "serão", ela, eu e a Sheila tomávamos litros de café pra aguentar a maratona-não me lembro de ter lido ou estudado tanto na minha vida, nem no vestibular, rssss....E eu andava nesse circuito, do hotel pra Universidade, da Universidade pra casa da Karina, da Karina pro hotel, tudo a pé...(andar me fazia bem, eu relaxava a mente e queimava umas calorias)-lá eu podia caminhar à noite, sozinha, a qualquer hora, e não tinha medo, a cidade é tranquila mas também não dá pra facilitar: eu saía com o dinheiro contado pro dia, andava de camiseta e birken (verão europeu!), estocava comida no quarto pra ter tudo à mão e rápido- e levava a vida mais monástica do mundo, sem comprinhas nem restaurantes pra turistas, uma estudante com dinheiro contado. (Pois é, não consegui bolsa...)
A comida é barata em Porto, eu comia no bandejão da Universidade (2,80 euros) e nos "pé-sujos" ao redor, com menu de 3 ou 4 euros pra estudantes. À noite, no meu quarto, detonava umas latas de sardinha ou bacalhau a 1 euro, comia na mesinha de estudos improvisada e seguia lendo ou escrevendo até 1 ou 2 da matina...)-acordava às 6h todos os dias!
Minha marca favorita de bacalhau em lata, mas eu comprava a que tinha grão de bico junto, uma delicia! A duas quadras do meu hotel tinha um supermercado Pingo Doce, de uma rede bem popular de lá, e eu enchia a sacola com essas latinhas-às vezes pagava menos de 1 euro, qdo. tinha promoção, e esse era o meu jantar!
Percebi que podia viver com pouco, que comprar pelo prazer de comprar não me fazia falta, e eu mal tinha tempo pra olhar uma vitrine, apesar de estar tudo em liquidação. O foco era outro, eu não estava preocupada com moda, tendências e afins, apesar de trabalhar nesse mundo. Confesso que estava até feliz de me distanciar das minhas atividades, foi bom olhar pra minha vida de fora, sob outro prisma. Foram só 40 dias longe, mas eu precisava dessa parada. O mestrado acabou sendo o meio que me fez parar pra pensar.
Voltei e ainda não me achei. Não posso reclamar: tive apoio da família, amigos (Latinha, um capítulo especial pra ti), mas há algo inexplicável, eu não sei o que é, mas está acontecendo. Eu mudei.
Tenho que trabalhar, tenho de preparar a dissertação, tenho de ler, mas ainda estou um pouco lá, um pouco aqui e um muito em lugar nenhum.
Será  que finalmente me tornarei quem eu sou?
Cartas para a redação.
Só sei que nada sei.
:)